A África do Sul tem muitas paisagens diferentes e incríveis: montanhas, praias, desertos, florestas e até neve (sim!). Sempre listo todos os cantos que conheci e ainda quero conhecer quando os meus amigos pedem dicas, e dá pra criar mil itinerários brincando de ligar os pontos. Mas o que eu sempre digo também é: a Garden Route não é o roteiro mais popular à toa. Se você só tem uns 10 dias, minha dica é fazer Garden Route + Safari. Se tiver uns 15, 20, dá pra fazer Garden Route + Namibia de carro, que foi o que eu e o Warren escolhemos da primeira vez que eu fui pra lá. Nesse post vou explicar um pouquinho dessa rota que liga as costas leste e oeste, mas depois vou fazer também o roteiro Cape Town-Namíbia e minhas andanças por outros cantos da África do Sul.

A rodovia N2, da Garden Route, margeia o litoral sul da África. A estrada é excelente, sem pedágios e cheia de paisagens de tirar o fôlego, então eu recomendo fazer todo o trajeto de carro. Você pode começar a viagem em Cape Town ou terminar por lá. Como meu namorado morava em Port Elizabeth, partimos da costa leste. A distância entre as cidades  é pequena, dá pra ver dois lugares no mesmo dia ou viajar sempre cedinho e ainda aproveitar o dia todo no destino. Então se você estiver com pressa, consegue fazer esse roteiro em 5 dias. E aí guarde mais uns 5 pra Cape Town – metade pra ver a cidade em si e metade pra ir nos arredores. 

// PORT ELIZABETH //

Não é uma cidade tão famosa, mas eu acho uma das mais lindas. A orla do bairro Summerstrand é a principal, super bonita e arrumadinha, com restaurantes, cassino e lojas. Mas é no Wild Side, contornando o cabo, que estão as melhores praias. Pra chegar nesse lado da costa é só pegar a Marine Drive, uma estrada que liga a cidade à costa selvagem. Uma das primeiras praias no Wild Side é Noordhoek, uma mistura de recife, pedras e areia, com água cristalina e este pôr do sol aí da foto #semfiltro. Dizem que essa praia é perigosa, mas nunca tive nenhum problema (de modo geral, me senti muito mais segura na África do Sul do que em qualquer lugar no Brasil).

Continuando pela mesma estrada fica Schoenmakerskop, uma área  residencial tranquila com mais dois pontos que valem a visita. No final da própria Marine Drive fica a entrada deles: o primeiro, seguindo reto, é esse cantinho a beira mar com outro pôr do sol maravilhoso:

Pra chegar no segundo é só descer a escada à esquerda no fim da rua, ao invés de seguir reto. Lá, morro abaixo, fica Schonies, uma costa de pedras cheia de piscinas naturais cristalinas. Não muito longe dali fica Sardinia’s Bay, uma praia surreal com dunas infinitas e ondas de duas direções se encontrando no canto da baía. É só voltar pela Marine Drive e pegar a Victoria Drive que você chega na Sardinia Bay Road.

Já passando pra dicas urbanas: na região central da cidade fica Richmond, um bairro antigo com casas conservadas e ruas super charmosas. Além da volta por lá, recomendo 4 restaurantes:

– Vovo Telo: café delicioso, ideal pra brunch (mas fecha cedo, fica de olho!)

– Yayas: comida mediterrânea delícia (souvlaki e molho tzitzaki <3). Fica numa rua cheia de bares legais, bom programa pra noite.

– Fernando’s: na África do Sul tem um rede de comida portuguesa chamada Nando’s, que serve peri peri chicken e outros frangos apimentados, muito populares por lá. Fernando’s é um restaurante local, nada famoso, mas com um peri peri truezão (recomendo a carne no molho com pão!)

– Beer Yard: restaurante com milhões de opções de cerveja artesanal, no quintal de uma casa, com uma decoração boho lindinha. Recomendo tudo: hamburguer, pizza, chá gelado artesanal e, claro, as cervejas.

// JEFFREY’ S BAY //

Não conheci, infelizmente. Imagino que seja lindo mas, tirando os surfistas, todos os sul africanos que eu conheci falaram que tem outras cidades que valem mais a pena. Se você não tiver muito tempo, acho que dá pra pular.

// NATURES VALLEY // (!!!)

Talvez um dos meus lugares preferidos! É mais uma vila no mato do que uma cidade, e tem o combo: rio encontrando o mar, floresta e cliffs. Fiquei no Nature’s Valley Rest Camp, que também tem cabines de madeira pra quem não gosta de barraca. O camping fica na beira do rio e dá pra ir andando até o mar. No fim da praia, à esquerda de quem olha pro oceano, tem um paredão rochoso e, atrás dele, tem essa mini praia – e sim, essas manchas pretas na foto são tubarões martelo.

Perto desses paredões também tem o acesso a uma escadaria/trilha para os cliffs. É bem curta, fácil e tem essa vista:

// PLETTENSBERG BAY //

Plettensberg tem o maior bungee jump de ponte do mundo, sobre o Bloukrans River. Se quiser se arriscar, a ponte fica no caminho entre Natures Valley e Knysna. De Pletts até Knysna são 20 minutos, então dá pra passar por lá rapidinho e seguir viagem.

// KNYSNA //

Pros animados, tem a trilha Kranshoek, que combina montanha e praia. Fiquei quieta na fazenda e não conheci muita coisa, só um mirante no meio da floresta, fora do roteiro turístico, que vale pela estrada entre pinheiros e pela vista:

Pra chegar, é  só pegar a estrada pra Ruigtvlei e Karatara na N2 e então subir pelo caminho pra vila Faleigh. O mirante fica um pouco depois da vila, os moradores podem te ajudar com as direções por lá.

// WILDERNESS // (!!!)

Wilderness é uma cidade pequena a 40 minutos de Knysna, e é outra parada rápida que você tem que fazer. No ponto que o rio Kaaimans encontra com o mar tem uma ponte de uma ferrovia, que é o começo de uma trilha linda. Como a maré estava baixa, atravessamos o rio a pé e seguimos pelos trilhos do trem, que margeiam o mar. Ela é curtinha, liga à outra praia, e no caminho tem uma piscina natural de pedras maravilhosa, cheia de corais:

O único perigo é que quando a maré sobe as ondas chegam com força lá (a gente foi arremessado contra as pedras porque demoramos pra perceber).

// MOSSEL BAY //

Não conheci, mas é uma cidade famosa e parece linda. Por lá da pra fazer a trilha de Cape St Blaze, que leva a uma caverna e passa por uma piscina natural de água cristalina.

// HERMANUS //

Só parei lá pra almoçar, mas queria ter ficado mais. A vista da praia é maravilhosa:

Ah! Hermanus tem vários passeios pra ver baleias, principalmente no inverno e na primavera. Só é bom agendar antes pra não perder a viagem.

// SIR LOWRY’S PASS //

Não é uma cidade, só um trecho da estrada que liga Hermanus a Cape Town. Merece um nome porque é uma atração por si só. Primeiro você vai subindo a montanha, até chegar em um mirante onde dá pra avistar o mar, e depois você vai descendo a serra com um visual de outro mundo.

// PERTINHO DE CAPE TOWN //

– Cabo da Boa Esperança: ou o famoso cabo das tormentas. Não fui, mas parece lindo e é parada obrigatória pra turistas que querem conhecer a história do lugar e aproveitar a vista.

– Boulders Beach: ou a praia dos pinguins. A praia em si é paradisíaca e os pinguins são um trenzin, mas tem que pagar 60 rands pra entrar (uns 15 reais). Se você for até lá, pegue a Chapman’s Peak Drive, uma estrada na montanha, à beira mar, que é até cartão postal, de tão deslumbrante.

– Gordon’s Bay: pra mim, uma das vistas mais bonitas de Cape Town – é essa aí da primeira foto. Lá perto também tem o Steenbras Lookout Point, esse mirante com vista pra cidade inteira:

– Babylonstoren (!!!): restaurante, hotel e vinhedo em Paarl, a 40 minutos de Cape Town. Recomendo um brunch na estufa deles e uma caminhada pelos cactus da fazenda.

// 2 HORAS DE CAPE TOWN // se você for na primavera, é parada obrigatória (!!!)

– Campos de flores selvagens e Langebaan Lagoon:

Postberg é uma reserva a beira mar que fica TODA FLORIDA na primavera, mas só abre em agosto e setembro. Ela fica dentro do West Coast National Park, que mesmo sem flores é lindo, porque tem o Langebaan Lagoon, um braço do mar no continente, clarinho que nem as águas do caribe:

Pra entrar no parque você paga 170 rands (40 reais) na temporada de flores e 80 rands (20 reais) no resto do ano, que na minha opinião valem cada centavo. Se você não estiver nem aí pras flores, dá pra ver o lago sem entrar no parque, na porção dele que fica na cidade de Langebaan, bem bonita também. Recomendo sair de Cape Town cedo, passar o dia em Langebaan e seguir viagem pra dormir em Paternoster.

– Paternoster (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!)
Cidade pequena/vila de pescadores delícia, cheia de casinhas brancas vibes Grécia.
Ela é toda assim:

Eu fiquei no Sea Shack (!!!), um hotel sel-catering que fica dentro do parque Columbine Reserve, a 5 minutos da cidade. A reserva também fica toda florida na primavera e a acomodação é uma atração por si só. A proposta é ser um albergue simples, sem energia elétrica, com área pra camping, banheiro compartilhado. Mas é muito arrumado, tem água quente, cozinha completa, quartos super confortáveis. Digamos que é um roots gourmetizado. O bangalô que a gente ficou é literalmente na praia:

// CAPE TOWN //

Eita que é muita coisa!

Pros pontos turísticos, sugiro um rolê naquele ônibus vermelho de sight-seeing. É um jeito rápido de ter uma visão geral de tudo, ouvindo a história, e até de entender o tamanho e a distribuição da cidade. Pra ver lojas legais, Long Street e arredores (recomendo Mungo e Jemima pra marcas locais e Babette Clothing pra achados de brechó); e também tem o Watershed, que é um shopping de marcas sul africanas no Waterfront. Pra ir em restaurantes legais, Kloof Street  e arredores (recomendo o Yours Truly). Pra caminhar nas ruas mais lindas e coloridas, o tradicional bairro Bo-Kaap (esses três pontos são próximos e dá pra fazer tudo andando).

Pra sair do circuito turístico e ver bairros charmosos, Observatory (comer no Hello Sailor) e Woodstock (comer no Superette, que fica no Woodstock Exchange, um centro criativo com várias lojas e escritórios de marcas locais). Pros must-sees de sempre: Robben Island, Table Mountain, District Six Museum, Shark Cage Diving, Lion’s Head, Green Point e Sea Point.

E pra se arriscar nas águas geladas do Atlântico, acho que as praias mais bonitas são: Camps Bay, Clifton Beach, Llandudno beach, e  a região de Kalk Bay (onde ficam Muizenberg e St James, que têm aquelas cabines colorida e Dalebrook, que tem tidal pools). Ah! Last but not least, uma praia fora do circuito turístico: Bloubergstrand Beach. Fica numa região residencial, bem de frente pra Table Mountain, e tem uma vista que você não consegue no centro da cidade.

Se mesmo depois dessas 12 laudas você ainda quiser mais dicas de restaurantes, lojas, museus e os lugares mais lindos de CT, dá uma olhada no www.capetowncityguide.co.za , um guia feito por uma designer sul africana que tem o melhor blog de arte, design, moda e fotografia, o www.missmoss.co.za.

Qualquer dúvida, chama aqui nos comentários! Vou adorar contar mais desse país maravilhoso e ajudar mais alguém a se apaixonar por lá ♡

Comments

Bom dia flor! Estou indo para a África do sul em março, e ficarei lá por 17 dias, e me apaixonei pelas suas dicas e seu roteiro. Gostaria de saber se tem como você me passar dicas da outra parte da viagem, para o Namibia. Muito obrigada

Oi, Marina 🙂
Que delícia! Namibia é suuuurreal, cê vai amar <3
Vou postar o roteiro esse mês ainda, você tem pressa? Se já tiver fazendo reservas e tal, te mando o rascunho por email.

Fico muuuuuito feliz que você tenha gostado, depois me conta do seu rolê por lá pra eu completar aqui também.