No último dia do Warren no Brasil, acordei cantarolando Lenine. Não de um jeito bom de quem sorri em melodia. Também não foi aquele canto de embalar a dor. A música do dia em que o sol morreu traduzia em ritmo essa tristeza feliz da despedida. A nostalgia antecipada ao perceber que o aqui e agora juntos ia embora com o sol. E, na mesma medida, o maravilhamento de olhar pra tudo que foi e só enxergar céu azul.

 

 

Nossa história de amor transatlântico é feita de muitas partidas, e nós sabemos bem o peso de cada uma delas. Mas sabemos também que todas foram seguidas por reencontros – nem sempre um com o outro, mas sempre com o que precisávamos. E foi por entender que o adeus é só um impulso para a volta, que não quisemos tratar essa despedida como uma. Com a câmera na mão e nenhum destino em mente, saímos margeando Furnas, como em tantas outras tardes comuns. Poderia ter sido o dia do último mergulho em Capitólio, da última ida à Tarimba, do último pão de queijo da Deja. Mas foi o dia da primeira vez do Warren subindo o Morro do Chapéu, vendo o cerrado florescendo depois da queima, assistindo os tons das águas da Ilha mudarem junto com o céu.

 

 

Rio acima, morro abaixo: “no dia em que ocê foi embora eu fiquei sentindo saudades do que não foi, lembrando até do que eu não vivi, pensando em nós dois” seguia na minha cabeça. O refrão era trilha pras memórias do último ano, em que o Brasil virou casa pro Warren e o abraço dele minha morada. Ali, assistindo o sol morrer, percebendo que aquele agora já virava lembrança, desejamos infinito que o próximo pôr do sol juntos não demorasse tanto.

 

 

Hoje, vendo as fotos e revisitando essa tarde, volto a cantarolar pensando no último homem no dia em que o sol morreu. Dessa vez, com o alívio de quem não acredita em tudo que é letrado. “No dia em que ocê foi embora eu fiquei sozinho no mundo sem ter ninguém”. O Warren já está lá longe, mas nosso amor continua aqui. Não tem partida que leve um sentimento embora,  e saber disso é ter a certeza de que eu nunca estou sozinha, mesmo do lado de cá do Atlântico.

 

Comments

Nossa, meu olho encheu de lágrimas com esse texto! Tbm espero que cs se encontrem rapidinho, e eu vcs tbm ♥️♥️♥️

Aaaah <3
Agora além de saudades do Warren, tô com saudades de você e de Amsterdam! Hahaha
Mais encontros Uilenstede, por favor <3 <3 <3

Ai, passei pela mesma coisinha esse ultimo mês. Depois de dois anos. Sigo você pelas fotos, descobri que escreve agora e foi um tiro hahah

No meu caso, acho que o reencontro vai demorar mais. Mas espero que o menino Warren e você tenham mais sorte que eu haha.

ô, gente, que fofa ahahah <3
É difícil, né? Mas calma, as coisas vão se ajeitando, às vezes quando a gente menos espera 🙂

muito lindo, o sentimento nas palavras e imagens veio até aqui <3

ôo, muito obrigada pelas suas palavras também <3