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SHIV SHAKTI // Um refúgio hindu entre as ruelas de Stone Town

August 22, 2019

A influência árabe em Stone Town – e em toda a ilha de Zanzibar – está por toda parte. Na arquitetura, na comida, nas roupas, na língua e, é claro, também na religião. 99% da população é muçulmana, então fiquei surpresa ao ver um templo hindu entre os pontos turísticos da ilha. Pesquisando a respeito descobri que durante o período colonial a Tanzânia tinha uma população hinduísta bastante próspera, já que muitos oficiais e profissionais de lá vieram da Índia, também colônia inglesa. Com a independência de Zanzibar, muitos hinduístas passaram a ser perseguidos e, por isso, emigraram para outros países. Nessa época o templo foi fechado, e só voltou a funcionar 20 anos depois, em 1985. Desde então ele é um espaço de fé pra pequena população hindu de Stone Town – e, pra sorte dos turistas, um ponto de cor em meio à arquitetura árabe.

A parte antiga de Stone Town é um labirinto de ruelas tão lindo que se perder não é problema, mas sim o próprio passeio. O templo hindu ainda consegue ser um labirinto dentro do outro: seguindo as indicações do google chegamos em uma loja como outra qualquer. Não fosse uma senhorinha sentada na calçada para apontar, nem teríamos reparado na portinha e na placa Shiv Shakti. Atrás dela fica um beco que, por sua vez, esconde outra porta (essa sim a do templo).

O templo em si é reservado apenas para os praticantes do hinduísmo, que devem entrar nele descalços, mas desse pátio da entrada é possível admirar a riqueza e o colorido dos altares, mesmo que de longe. Eu, que vejo graça em qualquer parede bonitinha, achei esse quadro de avisos tão charmoso quanto um oratório inteiro de rococós em ouro.

O look paleteiro que me fez camuflar no templo é da Luisa Meirelles, com acessórios da Grasse e bolsa da Natu. Três marcas queridas, de pessoas mais queridas ainda, que me acompanharam em Stone Town e por toda a Tanzânia. Mais registros das minhas andanças e dessa parceria em breve aqui.